Smaller Default Larger

Empresas alugam escritórios prontos

Todos os dias, as empresárias Ana Maria e Tatiana Godoy, donas de uma empresa de decoração e paisagismo, ficam fora do escritório a maior parte do tempo. Elas acompanham de perto o trabalho dos funcionários na casa dos clientes.

“Não tenho possibilidade de ficar no escritório, a não ser à noite, para fazer os estudos e os projetos. Durante o dia todo, a gente tem que ficar na rua mesmo”, diz Ana Maria.

Para evitar um investimento desnecessário na montagem de um espaço físico, as duas optaram por contratar os serviços do escritório virtual do empresário Victor Gradilone.

“É uma tendência mundial. As empresas estão ficando cada vez menores, existe um processo de terceirização muito forte no mundo inteiro e o Brasil vai seguir essa tendência, com certeza”, aposta Victor.

As empresárias pagam R$ 250 mensais pelos serviços do escritório virtual. O pacote inclui: trabalho de contabilidade e anotações de todos os recados, graças a uma linha telefônica exclusiva para elas.

“Cada empresa recebe um número de telefone. Quando as pessoas ligam para este número de telefone, aparece no visor o nome da empresa e a gente atende pelo nome certo”, conta a atendente Luciana Sales.

Para Tatiana, se não fosse dessa forma, estaria arriscado até mesmo a perder clientes.

“Muitas vezes o celular acaba não pegando nos lugares onde estamos. Portanto, se fosse só no celular, a gente acabaria perdendo clientes. Desta forma, O cliente sabe que a gente tem um espaço fixo e a atendente acaba nos passando rapidamente os contatos”.

Mas, como algumas pessoas precisavam também de um espaço físico, Victor Gradilone montou pequenas salas, para hospedar as empresas de seus clientes. O plano de Jânio Machado, por exemplo, é de R$ 1.300 mil por mês. Ele dispõe de sala de serviço e de reunião. No pacote está incluída uma secretária bilingüe.

“A minha empresa é israelense e todo tempo temos contato com pessoas do exterior. Então, o serviço bilíngüe é realmente importante. Além de toda infra-estrutura, atendimento, localização e custo, pois é muito mais barato do que montar toda uma estrutura semelhante própria”, opina Jânio.

Também foi graças a essas facilidades, que o inglês Bruno Bevilacqua escolheu o pacote que inclui todos os serviços para montar a fábrica de software dele no Brasil.

“É uma grande vantagem, pois ao invés de ter que alugar um escritório e depois contratar vários serviços, pude montar o escritório e começar a trabalhar no dia seguinte”.

ESCRITÓRIO EM TRÂNSITO

Até no aeroporto, hoje em dia, ficou fácil, resolver problemas de trabalho. O ex-executivo Miguel Soihet sempre viajava ao exterior. Ele perdia horas a espera do vôo e não encontrava um só lugar com acesso ao computador ou à Internet.

“Eu viajei por vários países e não encontrei um negócio que pudesse me dar condições. De volta ao Brasil, depois de uma das viagens, resolvi criar essa condição aqui no país”, relembra.

O primeiro passo foi se unir a Maurício Mudrik, especialista em tecnologia. Juntos, eles montaram um escritório dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Para conseguir o ponto, os empresários levaram uma canseira e tanto: foram mais de cinco anos de espera!

O processo licitatório foi bastante complicado. Mas, valeu a pena! Hoje, os empresários recebem mais de 20 mil clientes por mês. O investimento inicial foi de R$ 350 mil. Eles instalaram 16 baias de computadores e compraram impressoras, copiadoras e gravadores de CD e DVD. O preço da hora no computador custa R$ 20.

O gerente de exportação, Anselmo da Silva Júnior, viaja uma vez ao mês para os Estados Unidos. Em média, enfrenta uma espera de seis horas no aeroporto. Agora já tem o que fazer durante este tempo!

“Agiliza muito a vida dos empresários e dos empregados, pois possibilita efetuar o trabalho em trânsito de um país para outro, de um estado para outro. A pessoa não deixa de trabalhar”.

Importante neste tipo de negócio é ter funcionários especializados em tecnologia e que falem pelo menos uma outra língua. Assim fica mais fácil atender aos turistas e executivos estrangeiros, como Lorraine Brand, da Escócia. Ela revela que ficou surpresa com todos os recursos tecnológicos disponíveis.

De acordo com o atendente Márcio Scatena, a demanda maior é de clientes estrangeiros.

“Dependendo dos dias, chega a ser de 40 a 60% de estrangeiros. Varia muito da época do ano e também dos dias da semana”.

Fonte: Revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios